Teoria do não-objeto (fichamento)
No texto “Teoria do Não-Objeto” é interessante perceber como o autor tenta trilhar o caminho de sua linha de raciocínio a fim de explicar ao leitor sua visão sobre a teoria por ele mesmo postulada. O texto começa com uma premissa básica: o não-objeto não é a negação de um objeto, não é seu extremo oposto nem sua antítese, mas sim um objeto especial que seja composto de pura aparência, que seja “[...] síntese de experiências sensoriais e mentais [...]”. Guiando-nos pelo caminho de sua lógica, Ferreira Gullar disserta sobre o início da crise da arte figurativa, principalmente com a chegada das vanguardas artísticas: Mondrian opta por não pintar uma árvore realista (exemplo meu em referência às aulas), e gradativamente vai retirando detalhes até que chega, enfim, em figuras aparentemente irredutíveis como linhas retas horizontais e verticais. Mesmo sendo um movimento bastante disruptivo, o autor vai além com sua teoria e demonstra que, mesmo sendo um nível significativo de abstracionismo, o quadro ainda apresentava um limite (a moldura), e que, mesmo composto por elementos mínimos, estes ainda representavam algo em sua essência. Com isso, Ferreira Gullar tece uma crítica sobre o caráter “intocável” dessas obras e elabora: o não-objeto não pode ser apartado do mundo através de uma base ou de uma moldura para que seja apenas contemplado, o não-objeto faz parte do mundo e sua existência enquanto tal depende da interação que ele tem com as pessoas que o veem e sentem. O não-objeto não é representativo, pois não tem intenção de referenciar algo que é externo a si, ele é presentativo pois sua existência é fundada nele mesmo.
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