Crítica dos trípticos luz, sombra, transparência e reflexo
É curioso analisar como o desfoque na primeira imagem gera um efeito fluido, como se a matéria estivesse se atravessando, fazendo com que percamos a percepção da perspectiva: o que está à frente ou atrás, acima ou abaixo? Já na segunda imagem, a parte desfocada não gera impacto, parece não harmonizar nem contrapor com o fragmento do objeto reflexivo que está mais à frente. Este sim traz informações à composição com as bolhas, há a noção de movimento, de uma dinâmica trazida pela luz. Na terceira e última, a fotografia não parece ter um foco em específico, mas nessa, diferentemente das outras, o objeto preenche a imagem inteira. Tendo um contraste um pouco menor, com pretos e brancos mais distribuídos e intercalados, essa ocupação do objeto em cena instiga o olhar.
Na primeira imagem, de contraste mais baixo se comparada com as imagens subsequentes, o pedaço escuro do fundo que aparece na parte superior esquerda, juntamente das texturas do fundo branco levemente amassado, gera uma quebra no foco da imagem. Na segunda imagem, de contraste bem mais acentuado, o jogo de luz e sombra instiga muito mais o olhar e provoca maior curiosidade sobre o que são as formas, se são sombras do objeto no fundo, sombras do objeto no próprio objeto ou se são o objeto propriamente dito. A presença de linhas curvas mais à frente que geram linhas retas ao fundo causa um efeito muito legal. A última, de contraste intermediário, traz uma sensação mais imersiva, mas é menos nítida que as outras, tem linhas mais brandas que delimitam pouco as formas, gera menos estímulos.
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