Fichamento sobre o texto Animação Cultural

 No texto “Animação Cultural” Vilém Flusser escreve, sob a ótica de uma mesa, a respeito do que, nesse universo literário, ele chama de direitos objetivos. Dado esse ponto de vista, o texto discorre sobre o relacionamento entre humanos e objetos e vai, gradualmente, passando por diversos argumentos que sustentarão o que a mesa reivindica como a Revolução. Humanos são tidos como repressores dos objetos ao mesmo tempo em que eles sabem, talvez inconscientemente, que os objetos são superiores e, tentando encobrir seu lado animal, se definem então, contraditoriamente, como objetos. 


Para alcançar a autêntica objetividade, os objetos percebem que precisam eliminar os valores humanos impregnados na ciência. Eles dirigem a ciência mas simultaneamente talvez não tenham o controle da narrativa. É interessante a menção, do ponto de vista dos objetos, de que a desvalorização da cultura é a tarefa almejada por eles. Com isso, a mesa sintetiza que a Revolução é pautada em colocar a humanidade em função do funcionamento dos objetos e não o contrário, que seria o convencional, e, por fim, afirma que a função dos objetos é animar e programar a humanidade.


O que chama atenção no texto, além da narrativa em primeira pessoa do ponto de vista de um objeto, é o caráter crítico que usa dessa mudança de visão para esclarecer os pontos trazidos. É curioso perceber que o texto, escrito na segunda metade do século XX, mas ambientado no século XXI, realmente foi embasado o suficiente para descrever o funcionamento atual da relação humano-objeto. A ironia do texto em mostrar as reivindicações dos objetos para algo que já está mais do que normalizado -  a dependência humana para com os objetos - é um ponto muito forte que mostra a atemporalidade do conteúdo. Vivemos em função dos objetos hoje, vivíamos em função dos objetos quando o texto foi escrito e a tendência é de que continuemos vivendo essa dependência e em graus cada vez maiores.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

APRESENTAÇÃO